Teoria da Atividade:
O que é? Para que serve?
Passando ao largo de ser um especialista na área, ousarei, aqui, dissertar um pouco sobre a teoria da atividade. A primeira vez que li esse termo foi em um concurso público e, embora atuando na Educação haja cerca de dois anos e meio, esta vertente a mim, ainda, se apresentava teoricamente desconhecida.
Sei que é mister estudá-la pois, a Proposta Curricular de Santa Catarina apresenta-se com a concepção histórico-social. Ou seja, o documento direciona os professores a fazer uso da vertente vygotskeana e unir a sociedade aos conteúdos científicos que a escola tem por dever ofertar, trabalhando, assim, o processo de ensino-aprendizagem com a famosa ZDP – Zona de Desenvolvimento Proximal.
Desse modo, sendo o professor essa “mera” Zona de Desenvolvimento Proximal, ele estaria desenvolvendo a chamada Teoria da Atividade. Teoria esta que, em suma, sugere ao professor trabalhar com: I- a motivação discente; II- a elaboração de conceito com os alunos e, por fim, III- com o sóciointeracionismo, a praticidade dos conteúdos escolares.
A motivação discente deve ocupar um espaço significativo no processo de ensino aprendizagem, todavia “[...] é claro que a motivação por si só não pode ocupar todo o espaço de ensino [...]” (Proposta Curricular de Santa Catarina, 1998, p. 43). Motivação não é um só motivo externo. Um aluno motivado é diferente do aluno com motivo(s). Para este não houve a apropriação efetiva para que ele mesmo busque as ferramentas necessárias para operação de determinado conceito, enquanto que aquele se apropriou da problemática trazida por determinado assunto e descortinada pelo professor.
Os conceitos não podem, sob nenhuma hipótese, ser dado ao aluno. O professor deve propiciar ferramentas diversas para que os próprios possam observar, comparar, analisar, identificar dados para, por fim, (re) elaborar seus próprios conceitos acerca do conhecimento científico em questão.
Parece jargão, mas a teoria da atividade vai de encontro àquela velha frase de o professor dá tudo mastigado, pronto e acabado para o aluno. Que paladar do mundo, por mais trivializado que seja e por melhor, mais bem planejada que seja a comida, aprecia um prato mastigado? Para Jorge Schemes (2011): “O professor como mediador, deve levar seus alunos a construir e elaborar a idéia do objeto e formular o conceito”
Ivan Pontelo e Adelson Fernandes Moreira (2010)em seu artigo intitulado “A Teoria da Atividade como Referencial de Análises de Práticas Educativas”, afirmam que:
“Quando se planeja uma prática educativa, pode-se tentar prever os resultados dessa prática no que diz respeito ao que é efetivamente aprendido pelos estudantes. Porém, a aprendizagem depende do comprometimento do estudante com a realização das atividades, do seu interesse no que está sendo feito, do motivo que o impulsiona a participar e até mesmo do que ele espera ao passar por aquele processo.”
Levar o aluno a comprometer-se com o conhecimento seria o grande desafio dos professores da atualidade. Com esse comprometimento discente, acredita-se que estar-se-ia superando a relação direta de estímulo e resposta. Para que essa superação ocorra, os autores propõem a “atividade com objetos”.
Para os mesmos autores, os objetos são não verdade o motivo (a problemática dos nossos projetos) de se aprender algo e as atividades objetais, por sua vez, realizam-se por meio das ações executadas para se chegar à resolução daquele problema.
O próprio termo a-ti-vi-da-de remete-se, quase que obrigatoriamente, o professor à prática. Este deve elaborar seus planos de aula de modo que o aluno perceba nesses significância e relação com o seu dia a dia. Em suma, o saber acadêmico deve estar ao máximo vinculado com a práxis diária do aluno.
Teoria da atividade: O que é? É uma vertente que sugere aos professores trabalhar os conteúdos escolares, ao máximo, vinculado com o dia a dia dos alunos e com atividades práticas, além de elaborar conceitos em conjuntos com os mesmos e não, meramente transmitir de modo expositivo.
Para que serve? Serve que os alunos apropriem-se mais dos conteúdos e os apreendam de modo mais efetivo e significativo, pois a teoria da atividade, entre outras coisas, sugere o trabalho pedagógico com a pesquisa. Pedro Demo afirma que “[...] enquanto o primeiro mundo pesquisa, o terceiro dá aula [...]” (2004).
(Por Edson Natal Mateus – 14/03/11)

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