Às vezes, só, no frio da noite,
deitado sobre meu colchão de pedra fria,
penso em ti.
Penso em ti como jamais pensei ninguém.
E, assim pensando,
Imagino tua abundante melanina eriçando
minha pálida pele.
Imagino teu sangue em erupção se misturando a
minha hemácia anêmica.
Imagino tua língua dura tocando
meus lábios inertes.
Imagino teus lábios primaveris
abraçando minha língua amolecida.
Imagino teu corpo pesado e hercúleo
sobre minha carcaça latente.
Até que, assim pensando,
Imagino tua vertente enorme,
rija e negra estocando,adentrado e regando
com abundantes jatos de flores
meu virgem sulco.
E, neste ato, nesta oferenda,
tua vertente ressuscita o jardim
abandonado de meu corpo.
Então, inundado de flores,
eu ressurjo pelo maravilhoso poder de teu órgão.
E, ressurgido, eu me desabrocho, me grito, me gemo,
me suo, me contraio para acomodar a haste maior de seu corpo.
Ainda, nesta hora, meus poros emitem pétalas de suor,
meus sentidos sentem somente os seus sentimentos,
e, meus ouvidos escutam, de minha própria boca,
gemidos animalescos de prazer.
E tu, divinamente impiedoso, lindamente obstinado,
continuas me estocar sem piedade até que eu possa
colher as flores de meu próprio jardim.
Eu te amo!(Por Karina Alli)
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