Déficit de Atenção: um problema a ser compreendido
Minhas últimas leituras acerca do tema Psicologia da/na Educação fizeram-me compreender um pouco mais sobre os déficits de atenção dos nossos alunos em sala de aula. A devida compreensão e a constante busca de soluções para este problema suscitariam, também, na resolução de muitos de outros entraves educacionais encontrados no fazer pedagógico.
Antes de falar sobre a falta de atenção e suas inúmeras ramificações, deve-se estudar um pouco mais sobre a própria atenção. O que é atenção? Quais os tipos de atenção que existem? Como ela se aplica no “bendito” processo de ensino-aprendizagem?
Segundo Silva (p.67, 2007) “O que propicia a concentração da atenção é o significado que o ser humano atribui para a sua atividade, ou seja, o interesse pela atividade a ser desenvolvida”. Dessa maneira, o método para o professor solucionar o problema do déficit de atenção, seria o mesmo para resolver a problemática da indisciplina, da falta de gosto discente, da falta de significância do aluno concernente ao objeto estudado, da falta de necessidade que o aluno vê nos estudos. Ou seja, os professores, antes de qualquer coisa, devem fazer (ou tentar fazer) seus alunos ter gosto pelo conteúdo estudado.
O professor deve fazer como sugere Içami Tiba (p.30, 1998) em seu livro Ensinar Aprendendo, em que ele faz uma analogia entre o ato de comer e o ato de aprender. Acerca disso, ele discorre: “Uma boa aula é como uma refeição: quanto mais atraente estiverem os pratos que você, cozinheiro-professor,dispuser sobre a mesa, mais os alunos desejarão saboreá-los.”
A atenção, que pode definida como um processo de abstração do pensamento com foco em determinado assunto, é classificada em inata (acompanha e obedece a idade da criança) e como psicológica (dá-se por meio de estímulos proporcionados pelo ambiente), pode ser trabalhada pelo professor.
Afinal, não é de hoje que o professor não deve mais dar conceitos ao aluno, mas elaborar conceitos com o aluno. Ou seja, problematizar conceitos. E, para essas afirmações tomo por base a Proposta Curricular de Santa Catarina que, com sua visão histórico-cultural do aluno, é clara em afirmar tais preceitos.
Novamente Silva (p 68 opcit.) complementa:
“[...] cabe à escola possibilitar aos alunos instrumentos para a construção do processo de atenção. Pois, a atenção é um processo essencial para a apropriação dos conhecimentos produzidos historicamente e necessários para a atuação do homem no mundo.”
Considerando a problemática acima levantada, migrar-se-á rumo a uma solucionática e, com essa leitura, pode-se inferir o que todos os professores já estão cansados de saber, contudo, resistem a pôr em prática.
Aquela lista infindável de palavras e situações bonitas, tais como: 1-motivar o aluno ao objeto de estudo; 2- rever conteúdos de acordo com o grau de importância em relação ao cotidiano do aluno, isso mesmo numa sala cheia em número e em heterogeneidades; 3- aproximar ao máximo os conteúdos científicos trabalhados da vivência do aluno; 4- desenvolver a afetividade humana dentro da sala de aula; entre outros itens, é um dos caminhos possíveis a ser percorrido por nós, meros professores.
(Por Edson Natal Mateus -Professor de Português e Inglês)
Referências
BRASIL. Proposta Curricular de Santa Catarina: estudos temáticos. FTD, São Paulo.
SILVA, Daniela Regina da, Psicologia da Educação: um caderno de estudos, NEAD, 1ª. Edição, Santa Catarina.
TIBA, Içami. Ensinar Aprendendo: como superar desafios do relacionamento professor-aluno em tempos de globalização. São Paulo. Editora Gente, 1998.


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