sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os 10 Mandamentos do Educador


Os 10 Mandamentos do Educador



1 - Amar. Amar sobre todas as coisas a criança, o jovem, os homens, Deus .
2 - Não se irritar em vão; pelo contrário, ter muita paciência.

3 - Guardar o respeito devido à personalidade própria do discente, não importante a idade desse aluno.

4 - Honrar a virtude: dar sempre ao aluno o exemplo da Caridade, da Justiça, da Humildade

5 - Não matar a iniciativa e o entusiasmo infanto-juvenil.


6 - Guardar uma janela aberta aos ideais elevados e um coração sensível aos afectos puros.

7 - Não se furtar a trabalhos e canseiras
8 - Não levantar dificuldades à manifestação espontânea dos interesses e das tendências infantis; ter, também, sensibilidade para perceber as manifestações tímidas de afeto dos adolescentes.

9 - Não desejar fazer tudo em um só dia. A educação é obra de persistência e continuidade. Em educação, gastar tempo é ganhar tempo.


10 - Não cobiçar elogios e honrarias, nem sequer compreensão; mas trabalhar na certeza reconfortante de que educar é contribuir para a felicidade dos homens e dos povos.


Fonte do texto:http://carissimos.blogspot.com/2005/11/contributo-amigo.html
 
Com adaptações.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Contos de Pena - Conto III


Penas de Amor


         Certos tempos atrás, numa época em que havia muitas árvores. E elas eram pintadas de um verde tão forte, mais tão forte quanto o azul do céu em que a passarada se fazia de dona, havia um joão-de-barro muito especial, que tinha como morada a marquise do arco-íris Mor.
         Esse joão-de-barro não era um joão-de-barro comum. Ele era especial e enxergava a vida por um prisma diferente. Era como se ele a visse por detrás de uma pedra filosofal. Ele não era, mais, muito sonhador como já fora um dia.
         À medida que o pequeno joão-de-barro crescia, os amigos da família reparavam – reparavam, mas não falavam. Reparavam que ele mais parecia uma faceira forneira, ou para ser mais otimista, mais parecia um beija-flor. ‘Esse pássaro é tudo, menos um joão-de-barro’. Diziam as más línguas, ou melhor, os maus bicos. O que a passarada não reparava era na alma dele. Essa era tão linda quanto escondida em sua vasta plumagem.
         Quanto mais o pobre passarinho sofria, mais sua alma se engrandecia. Se o sofrimento enobrece, esse pobre João-de-barro era a mais linda das criaturas, porque sofrer foi o que ele mais fez desde o seu descasque. De pequeno, ele fugia dos vôos mais altos ou íngremes, porque eles lhe causavam tonturas. Também tinha aversão às brincadeiras violentas dos outros  filhotes, pois isso sempre lhe rendia doloridos picotes na cabeça.
         Esse joão-de-barro preferia os vôos rasantes e suaves, admirava os beija-flores e preferia grulhar às sobras em um solitário estar só. Mesmo ele, muitas vezes, estranhara muita coisa e muito o seu comportamento. Enquanto os outros joões-de-barro adolescentes perdiam horas e horas flertando com as serelepes joaninhas ou, em terra, observando o ciscar único de cada uma delas, ele passava longas tardes pousado no grande arco do arco-íris tentando ou pensando em atravessá-lo, mas coragem não tinha.
         Era como se ele precisasse descascar de novo. Mas dessa vez, tinha que ser um descasque anímico. Sua alma avina teria que vir à luz.
         E era com essas penas todas que esse pobre pássaro ia levando sua vida e voando nas agruras de seu mundo multicolor. Muitas vezes, sua mãe chorava por ele, seu pai cobrava-lhe um comportamento que não era seu e seus irmãos se riam dele. Seus avós o repreendiam ferozmente quando flagravam brincando com algum enxame de borboleta, suas efêmeras amigas. E o pobre, sem muito entender daquilo tudo,  obedecia e chorava.
         E ele só sabia chorar. Chorava-se tanto que mesmo seus raros sorrisos pareciam verter lágrimas. Teve um dia, contudo, que seu coração partiu ao ver um dos membros de sua linhagem, um velho João-de-barro matar sufocada sua esposa. Era um direito que a sociedade joãoninhácea concedia aos pássaros machos: ao suspeitar de infidelidade por parte da esposa, o João-de-barro macho poderia/deveria trancafiar sua companheira na casa deles de deixá-la morrer à míngua.
         Esse e outros comportamentos de sua raça o faziam ter vergonha de ter nascido.
         A essas duras penas ia levando a vida, esse triste joão-de-barro, até que um dia, quando todas as cores de sua alma iam se apagando e tudo estava prestes a virar treva ele fez-se amigo de um encantador beija-flor. Pela primeira vez em sua curta vida ele tinha um amigo. E, como era bom ter um amigo.
         Mas, será que ter amigo era querer estar perto o tempo todo desse amigo? Confundia-se a criatura. Nunca ele tivera amigos antes, não sabia. O que ele sabia é que adorava estar próximo daquele beija-flor. Ele amava as palavras doces e, ao mesmo tempo, inteligentes que saiam de seu ávido biquinho, por meio de grulhidos.  Ele amava brincar de duelos de bicos ao entardecer. Eles eram tão felizes juntos que todo o mundo poderia deixar de existir, pois os dois eram, agora, todo o mundo.
         Os dois fizeram-se amigos, logo de imediato, talvez, porque tinham muita coisa em comum, mais o que eles tinham de mais parecido era um sonho.
         Como era de se esperar, os pais do nossa joãozinho se opunham a essa amizade. ‘João-de-barro vive com João-de-barro, beija-flor vive com beija-flor’. Bradava o velho João-de-barro, pai do protagonista deste conto.  
         O sonho de atravessar o arco-íris.
         E, como todo sonho precisa ser realizado, combinaram, os dois, uma viagem secreta à terra encantada do Arco-íris Mor. Tanto um quanto o outro sentiam um desejo recrudescedor de conhecer tal terra.
         Numa orvalhada manhã de sábado, partiram, então, os dois, tal como dois heróis de filmes ou dois moradores de poemas de amor. Com mochilas nas costas, água nas garrafinhas e tudo mais. Essa seria a última vez que ambos seriam vistos por ali. E, nem a mim, a pessoa incubida pela vida de narrar esse conto, foi confiada o paradero  dos dois.
         Muitas especulações, é claro, foram levantadas sobre o sumiço de ambos.
          Os vizinhos malidiscentes  nada falavam, mas entreolharam bastante por  muito tempo. Em suas mentes eles imaginavam coisas que, aqui, não podem ser ditas, não.
          Umas tias, bem velhinhas, juravam que eles tinham se perdidospela mata afora, e se apegavam a grulhar para os santos mirando os céus todas as tardinhas.
           O boato, contudo, mais aceitável, o qual eu também acredito dá-se assim. Com a longa viagem, os laços dos amigos puderam se estreitar e , mesmo antes deles terem conseguido transpor os mágicos arcos da Íris-Mor, todas aquelas dívidas que o nosso jõao-de-barro  carregava sobre se era amizade tudo o que ele sentia por aquele beija-flor, foram sanadas e ambos perceberam que não eram só amizade tudo o que sentiam. Com certeza, era algo bem mais profundo. 
          Diante dessa fatídica descoberta eles viram que não podiam assim viver. Viver o que sentiam não podiam. Tinham certeza também que sem viver o que sentiam também também não conseguiriam viver. 
           Decidiram, então, não mais viver.
            Construíram cuidadosamente uma linda casa daquelas da família do nosso João-de-barro. Construíram-na como se construíssem tinhassem a um túmulo. Trancaram-se dentro e, juntos, não mais respiraram. 
            De epitáfico, cravaram com próprios biquinhos: 'Aqui jaz penas de amor'.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Salmos 23

Salmo 23 
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo,
a tua vara e o teu cajado me consolam;
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos,
unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda;
Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias de minha vida,
e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Amém.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Versos alados: Verso VIII


                                                                                            Cantiga de Adolescer
Sunshine, obra de Norman Rockell,
autor consagrado em pintar
temas infantis.

Hoje, de cabelo branco,
Lembro todo o encanto
Do meu lindo adolescer
E da arte de crescer.

Devido essa grande arte
Minha beleza em parte
Já não era tão pueril
Querendo algo viril.

Sempre, no alvorecer,
Eu era como a rosa
 No orvalho chorosa.
Contudo, no entardecer,
Eu era moça, livre e levada
Como uma lagarta alada!

(Por Edson Natal Mateus)

Versos alados: Verso VII

O que o tempo faz

 
Olha,
O que o tempo faz
com o corpo.
O que o tempo faz
com o rosto.
Olha,
O que o tempo faz
conosco.
Um osso! 
(Por Edson Natal Mateus)

Da Série: A Voz de Quem Educa. Artigo II


O aluno caderneta de poupança e o
aluno aplicação em ações


          O título acima é auto-explicativo e nos remete ao mestre Paulo Freire. Não foi uma, dez, nem dez centenas de vezes que esse professor humanista criticou a educação do depósito em prol de um fazer-pedagógico significativo para o aluno e, consequentemente, para o professor.
         Infelizmente, no século vinte e um, ainda nos deparamos com escolas e mestres que não acreditam na perspectiva de uma aula menos expositiva, mais dialógica; menos cansativa, mais interativa e prazerosa; menos do faz-de-conta e mais apreendedora da realidade para todos os envolvidos .
         Essa é a educação do faz-de-conta que Freire batizou de “educação bancária”, em que o aluno fica sentadinho por horas seguidas, com funis muito grandes nos ouvidos, recebendo o maior número possível de informações que o professor eficiente consegue depositar.
         A problemática acima é tão séria que o  adjetivo “eficiente” dado ao professor  não  é uma ironia. No país inteiro, encontramos escolas muito boas, com gestão democrática, com participação efetiva da comunidade, poderia, aqui, enumerar algumas dezenas. Nessas escolas, contudo, ainda é desenvolvida a educação depositária, que mata o aluno em sua seiva produtora. Professores eficientes que matam alunos? Isso é possível?
         Sim, eu mesmo, advogado do diabo, já fiz e talvez, ainda, faça isso. Você que me lê, se não fez, faz ou um dia ainda irá causar a morte intelectual de seu aluno.
         Somos, aos montes, professores eficientes trabalhando em escolas eficientes. Pois, nossa escola – a que trabalhamos – é organizada, os alunos não entram atrasados sem os devidos trâmites legais, os pais são chamados sempre que é preciso, os alunos não andam de boné na sala de aula (um parênteses para esse cúmulo do autoritarismo) usam uniformes sempre limpos e impecáveis. Se algum aluno falta mais de cinco dias consecutivos ou sete alternados é feito o que determina a lei e os órgãos competentes são acionados.
         Se algum aluno anda frequentemente sonolento ou cansado em sala de aula, os técnicos são comunicados e uma medida sempre é buscada. Se o aluno é muito carente e a escola sabe que ele precisa de alguma ajuda financeira, o professor dá cesta básica;  a escola liga para o serviço de assistência social do município e busca um auxílio; o professor vai pessoalmente a Unidade Básica de Saúde ou aos conveniados com universidades atrás de serviços psicológico, terapêutico, fonoaudiológico e pede que seu aluno seja atendido com carinho especial por aquele profissional.
         Certamente, você, professor e sua escola já buscaram inúmeros meios de trazer os pais de seus alunos e a comunidade como um todo para dentro dos muros escolares. As lindas feiras de ciências, de artes, as tardes de teatro, os cafés coloniais, os majestosos Dia dos Pais, das Mães, as gincanas em que os alunos são convidados a irem fantasiados, ou de pijamas,  e novas feiras interdisciplinar, que estão em alta agora, tudo isso é feito com muito, muito esmero e dedicação por, no mínimo, cinqüenta por cento dos seus colegas. Então, tudo isso é sinônimo da mais pura eficiência. Eficiência de gente que trabalha duro, que ama o que faz e o faz com amor.

         Tais alternativas, contudo, são paliativas e não bastam para resolver toda a problemática que abarca o sistema educacional que vivenciamos e que ofertamos as nossas crianças quase que como a única alternativa deles serem “alguém na vida”. Como diria os mais velhos, “o buraco é mais embaixo”. E esse buraco tem uma dupla-obscuridade pois  a solução se parece tão óbvia  quanto complicada.
         Retomando Paulo Freire, seria simples, bastaria pararmos de “dar aula” e levar os alunos a pesquisar. O professor instrumentaria seus alunos a fazer tal projeto com a aquisição de determinado conhecimento científico. Pedro Demo afirma que “a pior coisa da aula é a aula” Içami Tiba, em seu livro Ensinar Aprendendo, se faz porta-voz dos alunos e afirma que eles dizem que “a escola até que é boa, o que estraga são as aulas”.
         O que fazer, então? É simples, observe: o professor deveria, de uma vez por todas, descer do seu púlpito e entrar  no grande círculo dos alunos. O professor deveria unir ao máximo o seu conhecimento científico com a mediação de conceitos morais e sociais. O professor deveria expor os conteúdos ao mínimo e levar seus alunos a pesquisar e se tornarem autônomos o maior tempo em que estiverem na escola.
         Além de mais significativo para o aluno, uma aula com vistas à pesquisa é muito mais enriquecedora para o professor. Pois, segundo a própria Proposta Curricular de Santa Catarina: “O professor que só ensina (grifo dos autores) em breve se sentirá tão estacionado como alguém que simplesmente deu férias ao pensamento”(p.63, 1998). Vale lembrar que o verbo ensinar apresentado em destaque se refere exclusivamente ao jeito tradicional de se pensar o processo de ensino-aprendizagem. Ensinar de modo expositivo.
         Levá-los a pesquisar, é óbivio que sempre com objetivos claros em mente, é o jeito novo de se pensar o processo de ensino-aprendizagem. Os velhos verbos que encabeçam nossos planos de aula de início de ano, ou de carreira, são precedidos implicitamente do termo “levar o aluno a”. Como, então, que um professor, por mais eficiente que se propõe a ser, pode levar seu aluno a “analisar, comparar, equiparar, ampliar, aguçar, criar, construir”  colocando-o sentado por quatro horas a fio?
         Por que, então, os professores não assim o fazem, já que, além de mais proveitoso para o aluno, é muito mais prazeroso para todos os envolvidos? Por que é que os professores parecem preferir depositar seus conhecimentos em cadernetas de poupanças e receber nas provas um magro lucro, do que aplicar em ações e ter, como “feedback”, um aluno mais inconstante mas, mais criativo, autônomo e  gente? Os juros de se aplicar em ações é colher alunos gentes e que sabem que assim o são. Um aluno que ajuda a construir o que há de mais importante na sua história - o seu conhecimento.
         Isso não acontece porque precisaria uma mudança drástica. Uma quebra de paradigmas. E isso cansa, é difícil, dói como todo novo parto. Requer revisão de conceitos arraigados em nós enquanto pais, professores e eternos alunos.
         Ensina-se assim, mesmo que contrariando a lógica, as vertentes didáticas e a legislação vigente, porque se aprendeu assim. O professor de Português não consegue se desvincular da ênfase no ensino gramatical, simplesmente porque aprendeu assim. Ele sabe que levar seu aluno a ler, interpretar, escrever, re-escrever, produzir é mais importante do que ele saber as desinências verbais, por exemplo. O ranço, contudo, fala mais alto.
          Os disparates por aí continuam. Há professores de Matemática que jamais propuseram a seus alunos a escrever um texto de Matemática. Há também, isso é triste, mas há, professores de Geografia que nunca deram uma aula na rua, ou mesmo no pátio da escola. E, há também alunos de Química que nunca fizeram uma reação química, ou mesmo uma fusão. Há alunos de Literatura que pensam que as músicas que eles ouvem e cantam não são Literatura, porque não constam naquele quadro das Escolas Literárias do Brasil, que tem em seu livro didático Volume Único.
         Além disso, há em todas as disciplinas, professores que só dão aula teórica. São amantes do quadro e giz. E, o pior de tudo, há alunos de Educação Física que nunca tiveram uma aula teórica de Educação Física na vida. Há alunos dessa disciplina que nunca foram levados a pesquisar sobre a história da Copa do Mundo, dos Jogos Panamericanos, das Paraolimpíadas e suas respectivas economias, benefícios e malefícios que esses eventos trazem aos países que lhe servem de sede. “O que é  e quais as funções da FIFA?” Isso seria pensar grande mais.  Há os  professores de História que nunca pediram a seus alunos uma entrevista com as pessoas mais velhas do seu entorno. Para que estudar a história local? Há, também, professores de segunda língua que jamais gastariam quatro aulas numa discussão sobre “O por quê de se aprender aquele segundo idioma”, claro, o sacrossanto Verb To Be é, “no doubts”, mais importante. Há professores que têm mais medo de projetos do o Diabo da cruz. É triste, mas há. Isso tudo é um triste legado que herdamos.
         Esse mesmo ranço faz com que nós, professores não nos desvinculamos do método retrógrada da escola velha. Afinal de contas, somos o que “deu certo” desse sistema de ensino. Por isso mesmo é que inconscientemente não admitimos que o atual público discente que temos não consiga aprender ou perceber significado no mesmo. Se nós aprendemos, por que eles não aprendem?

          Com base nos desdobramentos acima apresentados, migramos para um meio-termo, já que a utopia como solução não caberia aqui. O ideal para o professor seria oscilar entre o novo e o tradicional, já que só o novo poderia afugentar alguns pais e professores e, só o velho poderia matar mais e mais alunos pelas aulas afora. Interagir entre ambos, migrando gradativamente para o mais provável de estar certo.O novo que assusta alguns ou o velho mata muitos? A escolha é sua, professor! A escolha é nossa, professores!
(Por Edson Natal Mateus)

Da Série: A Voz de Quem Educa. Artigo I


Déficit de Atenção: um problema a ser compreendido

        
          Minhas últimas leituras acerca do tema Psicologia da/na Educação fizeram-me compreender um pouco mais sobre os déficits de atenção dos nossos alunos em sala de aula. A devida compreensão e a constante busca de soluções para este problema suscitariam, também, na resolução de muitos de outros entraves educacionais encontrados no fazer pedagógico.
         Antes de falar sobre a falta de atenção e suas inúmeras ramificações, deve-se estudar um pouco mais sobre a própria atenção. O que é atenção? Quais os tipos de atenção que existem? Como ela se aplica no “bendito”  processo de ensino-aprendizagem?
         Segundo Silva (p.67, 2007) “O que propicia a concentração da atenção é o significado que o ser humano atribui para a sua atividade, ou seja, o interesse pela atividade a ser desenvolvida”. Dessa maneira, o método para o professor solucionar o problema do déficit de atenção, seria o mesmo para resolver a problemática da indisciplina, da falta de gosto discente, da falta de significância do aluno concernente ao objeto estudado, da falta de necessidade que o aluno vê nos estudos. Ou seja, os professores, antes de qualquer coisa, devem fazer (ou tentar fazer) seus alunos ter gosto pelo conteúdo estudado.
         O professor deve fazer como sugere Içami Tiba (p.30, 1998) em seu  livro Ensinar Aprendendo, em que ele faz uma analogia entre o ato de comer e o ato de aprender. Acerca disso, ele discorre: “Uma boa aula é como uma refeição: quanto mais atraente estiverem os pratos que você, cozinheiro-professor,dispuser sobre a mesa, mais os alunos desejarão saboreá-los.”
         A atenção, que pode definida como um processo de abstração do pensamento com foco em determinado assunto, é classificada em inata (acompanha e obedece a idade da criança) e como psicológica (dá-se por meio de estímulos proporcionados pelo ambiente), pode ser trabalhada pelo professor.
         Afinal, não é de hoje que o professor não deve mais dar conceitos ao aluno, mas elaborar conceitos com o aluno. Ou seja, problematizar conceitos. E, para essas afirmações tomo por base a  Proposta Curricular de Santa Catarina que, com sua visão histórico-cultural do aluno, é clara em afirmar tais preceitos.
         Novamente Silva (p 68 opcit.) complementa:

 “[...] cabe à escola possibilitar aos alunos instrumentos para a construção do processo de atenção. Pois, a atenção é um processo essencial para a apropriação dos conhecimentos produzidos historicamente e necessários para a atuação do homem no mundo.”

         Considerando a problemática acima levantada, migrar-se-á rumo a uma solucionática e, com essa leitura, pode-se inferir o que todos os professores já estão cansados de saber, contudo, resistem a pôr em prática.
         Aquela lista infindável de palavras e situações bonitas, tais como: 1-motivar o aluno ao objeto de estudo; 2- rever conteúdos de acordo com o grau de importância em relação ao cotidiano do aluno, isso mesmo numa sala cheia em número e em heterogeneidades; 3- aproximar ao máximo os conteúdos científicos trabalhados da vivência do aluno; 4- desenvolver a afetividade humana dentro da sala de aula; entre outros itens, é um dos caminhos possíveis a ser percorrido por nós, meros professores.
(Por Edson Natal Mateus -Professor de Português e Inglês)

Referências
BRASIL. Proposta Curricular de Santa Catarina: estudos temáticos. FTD, São Paulo.
SILVA, Daniela Regina da, Psicologia da Educação: um caderno de estudos, NEAD, 1ª. Edição, Santa Catarina.
TIBA, Içami. Ensinar Aprendendo: como superar desafios do relacionamento professor-aluno em tempos de globalização. São Paulo. Editora Gente, 1998.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Provérbio

Um antigo provérbio  chinês diz assim a respeito das especializações:

"Não se concentre tanto na folha, a ponto de esquecer que ela é parte da árvore e esta da floresta."